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14 de maio de 2014

0 Dia Mundial das Aves Migratórias – 2014

 

                       

aves migratórias 1A data é comemorada no segundo final de semana do mês de maio, e tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância da sua preservação e dos seus habitats.

As aves são consideradas um dos melhores indicadores do estado e tendência da biodiversidade geral uma vez que eles estabelecem ligações e vivem virtualmente em todos os ecossistemas do mundo.

Registram-se atualmente números sérios de declínio de muitas espécies e dos maiores corredores de voo. Por exemplo, 41% das 522 populações de aves aquáticas migratórias dos corredores Africano-Euroasiáticos estão em declínio. Este registro pode ser um sinal de um problema ambiental global associado à perda de habitats e biodiversidade. Do albatroz até o beija-flor, da Antártica até o deserto do Saara, desde o pinguim mergulhador até as águias de-asa-redonda, são um dos melhores exemplos da enorme variedade da biodiversidade. Nas suas viagens, eles passam por diferentes tipos de ecossistemas, pessoas e culturas, e tem fascinado a humanidade por séculos.

aves migratória 3O Dia Mundial das Aves Migratórias foi promovido pela primeira vez no mundo pelo Acordo Afro-Eurásico das Aves Aquáticas Migratórias (African-Eurasian Migratory Waterbird Agreement, UNEP/AEWA) e a Convenção Global das Aves Migratórias (UNEP/CMS) em 2006.

O significado das aves como indicadoras vitais de ecossistemas sadios passa, às vezes, despercebido pelo público.

4 de outubro de 2013

0 Semana da Proteção à Fauna

 

Fauna. Sempre ouvimos essa palavrinha, quando éramos criança na escola, nos jornais e televisão. Mas será que todos ainda lembram o que significa? Ou melhor, será que todos dão a devida importância?

O Brasil possui uma das maiores biodiversidades1 do mundo. Onde a maior parte das espécies são endêmicas2. Nosso país abriga mais de 515 espécies de anfíbios (das quais 294 são endêmicas), 468 de répteis (172 endêmicos), 524 de mamíferos (com 131 endêmicas), 1.622 de aves (191 endêmicas), cerca de 3 mil peixes de água doce e de insetos, são cerca de 15 milhões de espécies.

Porém, o homem ao longo de várias décadas vem sendo a maior ameaça a essa riqueza. Desmatamento, construção de hidrelétricas, instalação de indústrias, enfim, a ocupação humana desenfreada, são algumas atividades que estão prejudicando nossa fauna.

O tráfico de animais silvestres é considerado uma das atividades mais impactantes que ocorre atualmente. Calcula-se que 12 milhões de animais são retirados por ano de forma ilegal de seus hábitats3. Dentro desta estatística, para cada animal vendido nove morrem.

Algumas medidas são tomadas para conservar a fauna e seu hábitat. Chamamos de Unidade de Conservação (UC), que visa proteger as espécies ameaçadas de extinção, preservam e restauram a diversidade de ecossistemas naturais e promovem a sustentabilidade do uso dos recursos naturais. Além de preservar espécies nativas, as UCs são importantes, pois estimulam e possibilitam o contato do homem com a natureza sem prejudicar a ambos. Essa interação homem-natureza passou a ser reconhecido como Turismo Ecológico.

A Semana da Proteção à Fauna (04 a 10 de outubro) deve ser lembrada sim, porém o ato (propriamente dito) de proteção não deve ser restrito apenas a essa semana e sim praticada todos os dias e em todas as situações. Pois sua preservação é primordial para mantermos a qualidade de vida do planeta, e o mais importante: a própria vida na Terra.

No caso de qualquer pessoa ser testemunha de tráfico e/ou maus tratos de animais, cortes de árvores, despejo de lixo, queimadas, ocupação do entorno da UC e desvio dos rios deve denunciar ao IBAMA ou órgãos responsáveis em sua cidade. Faça sua parte, denuncie e reclame, pois o meio ambiente também é seu e será herança para as próximas gerações. E a sua preservação depende de nós.

Dicas: 1. É a variabilidade de organismos vivos de todas as origens, compreendendo, dentre outros, os ecossistemas terrestres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos de que fazem parte; compreendendo ainda a diversidade dentro de espécies, entre espécies e de ecossistemas.

2. Uma espécie é endêmica por que sua distribuição natural está limitada a uma área conhecida. Portanto, quando nos referimos a uma espécie endêmica, temos de referir sempre a área a que diz respeito. Porque que é importante falarmos de organismos endêmicos? Por duas razões. Primeiro, por uma questão de responsabilidade. Nas áreas a que se limitar a distribuição natural de um organismo deve ser dada particular atenção à sua conservação. Por exemplo, nas regiões de manguezal devemos ter particular empenho na conservação de sua vegetação característica, por exemplo, já que a sua distribuição natural é limitada. A segunda razão prende-se com uma questão de oportunidade. É que a probabilidade de observar um determinado organismo é muito mais elevada na sua área de distribuição natural.

3. significa o lugar ou tipo de local onde um organismo ou população ocorre naturalmente.

Se quer se informar mais sobre o assunto, saber quais e onde ocorrem os principais animais ameaçados de extinção, segue abaixo o link para download do “Livro vermelho das espécies da fauna brasileira ameaçadas de extinção”. São dois volumes descrevendo a distribuição geográfica de cada espécie, registros em unidades de conservação, principais ameaças, estratégias de conservação entre outras coisas. Vale a pena conferir.

livro vermelhoDisponível em: http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/fauna-brasileira/lista-de-especies/livro-vermelho.html

6 de setembro de 2013

1 Amazônia, todo dia é dia!

 

Leitor (a), você ao ler o texto vai logo pensar: -“ Eles atrasaram de novo!!!” Pois é, desta vez foi proposital. Como quase sempre afirmo, só comemoramos o que perdemos ou estamos em via de perder. Resolvi fora do dia marcado falar sobre a Amazônia. A data escolhida é 5 de setembro. Para mim? – É todo dia.

O ecossistema amazônico ocupa os seguintes países: - Brasil, Peru, Colômbia, Equador,Bolívia,Guiana, Suriname, Venezuela e Guiana Francesa. Sua extensão é de Com sete milhões de km2, desses, 5,217 milhões de km2, ou seja, 1/3 das florestas do mundo, ar e água doce são nossos.

                             image

Ela é considerada, mundialmente, como um patrimônio natural da humanidade. Mesmo com a posse geopolítica todos temos o dever de preservá-la.

Alguns aspectos que lhe conferem importância global:

- Número ainda indefinido de espécies animais e vegetais conhecidas e desconhecidas;
- Papel na regulação do equilíbrio climático global; e
- Fonte de matérias primas alimentares, florestais, medicinais e minerais, são os principais.

amazonia 1Amazonia 2 

Ameaças mais significativas a sua integridade:

amazonia 3

-Extração de madeira;
-Mineração,
-Obras de infra-estrutura que a descaracterizam e permitem a perda indiscriminada de sua biodiversidade; e a
-
Conversão da floresta em áreas para pasto e agricultura.

               

 

 

Ontem tive a oportunidade de conhecer um projeto extremamente importante da região amazônica. O Pé de Pincha*. Ele faz parte da carteira do Programa Ambiental da Petrobras. Existe desde 1999 e por iniciativa das comunidades e Universidade Federal do Amazonas promove mudança gradual de manejo da fauna de quelônios (tartarugas e afins). 118 comunidades estão atuando em 2013.

Eu acredito em ações consorciadas. Em que devemos entender que há necessidade de desenvolvimento/crescimento econômico, mas com respeito ao meio ambiente, preservação da biodiversidade, valoração da cultura nativa e aprimoramento técnico-científico de nossas crianças e jovens. A Amazônia é um vasto território. Nós, mesmo afastados geograficamente, devemos acompanhar ações civis e governamentais na região, pois, mesmo sendo um patrimônio mundial ela é nossa por direito e temos o dever de preservá-la em todos os aspectos.

Graça Bispo

*Significa o formato das pegadas dos Tracajás (Podocnemis unifilis), que na areia ficam no formato de "pinchas" (tampinhas de refrigerantes de garrafas de vidro).

27 de maio de 2013

0 27 de maio, dia Nacional da Floresta Atlântica

27 maioA região geográfica formada por vegetação, fauna, clima, relevo e solos típicos compreende um Bioma. E um exemplo de Bioma que detém muitas características peculiares é a Floresta Atlântica. Para se ter uma ideia, esta floresta é considerada um “mosaico vegetacional”, ou seja, há diversas formações florestais e ecossistemas compondo a Floresta Atlântica. Com exemplo de suas florestas podem ser citados a Floresta Ombrófila Densa, a Floresta Ombrófila Aberta, a Floresta Ombrófila Mista, a Floresta Estacional Semidecidual e a Floresta Estacional Decidual.

Todas essas nomenclaturas fazem referência às diferentes condições ambientais e às espécies florísticas ocorrentes, bem como sua dinâmica. Por exemplo, a Floresta Ombrófila Densa é um local onde a temperatura é sempre alta e as chuvas são frequentes, sendo um local extremamente úmido – daí o nome “Ombrófila”. Por sua vez, a designação “Densa” ocorre em virtude das copas das árvores se tocarem, formando um dossel denso e uniforme. Em contrapartida, a Floresta Ombrófila Aberta apresenta características vegetacionais diferenciadas quando comparada com a Densa. O espaçamento entre árvores é maior (daí o nome Aberta) e há um período de aproximadamente 2 meses de período seco. A Floresta Ombrófila Mista, também chamada de Floresta de Araucária ocorre nas regiões sul do Brasil e em manchas no sudeste. Sua espécie arbórea predominante é o pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifólia). Já a Floresta Semidecídua ocorre geralmente em regiões de maiores altitudes, tendo sua vegetação adaptada a temperaturas mais baixas. Como resultado, essa formação florestal apresenta uma estação seca e fria definida e, dependendo do local, de 20 a 50 % das árvores perdem suas folhas durante o inverno, sendo esta uma adaptação ao ambiente carente de água e abundante em frio. Para efeitos de comparação, a Floresta Estacional Decidual possui duas estações climáticas bem definidas, marcada por chuvas após um longo período seco (cerca de 6 meses). Como efeito adaptativo, mais de 50% dos indivíduos vegetais perdem suas folhas.

Além das diferentes classificações de florestas citadas, ocorrem também os chamados Ecossistemas Associados, que são ambientes localizados sob o Domínio da Floresta Atlântica. Abaixo, segue a descrição de cada um:

- Manguezais: Ecossistema costeiro encontrado em áreas alagadiças, na zona de transição entre a planície e o mar. A vegetação desse ambiente (mangue) desenvolveu adaptações que a permitiu ocupar ambientes de alta salinidade e extremamente úmidos. Ocorrem predominantemente 3 espécies arbóreas: Mangue-vermelho (Rhizophora mangle); o Mangue-branco (Laguncularia racemosa) e o Mangue-vermelho (Avicennia schaueriana).

- Restingas: Sua vegetação ocorre em áreas planas e arenosas, onde houve acúmulo de sedimentos erodidos de rochas e depósito de material pelo mar. É uma ambiente de baixa fertilidade e umidade e alta salinidade. Apesar das severas condições, é um ecossistema de elevada riqueza botânica e de faunística, apresentando elevado grau de endemismo.

- Campos de Altitude: Em regiões de grandes altitudes do sudeste brasileiro (acima de 1800 m), nas cristas das serras, a floresta é substituída pelos Campos de Altitude, que possui uma vegetação predominante de gramíneas e arbustos. Fazendo parte da paisagem desses campos, são encontrados afloramentos rochosos, penhascos e picos, como o Pico das Agulhas Negras – RJ.

Pode-se perceber que com tantos ambientes diferentes, a Floresta Atlântica tem a capacidade de abrigar altíssima biodiversidade, possuindo mais de 200 mil espécies de plantas, sendo aproximadamente 8 mil endêmicas; 270 espécies de mamíferos; mais de 900 espécies de pássaros; 197 de répteis; aproximadamente 360 diferentes espécies de anfíbios e cerca de 350 espécies de peixes. Além desses dados, essa é a floresta mais rica do mundo quando se considera o número de árvores por unidade de área (454 espécies/ha no sul da Bahia), tornando o Brasil um dos doze detentores da chamada Megadiversidade.
distribuição mata atlantica
Entretanto, mesmo possuindo tamanha importância biológica, a Floresta Atlântica sofre uma intensa degradação, reflexo de uma ocupação urbana desordenada; exploração intensa dos seus recursos naturais e substituição de suas áreas por locais com destinação agrícola os pastoril. Vale lembrar que é nesse domínio florestal atlântico que se encontram aproximadamente 70% da população brasileira, o que submete a Floresta Atlântica a diferentes tipos de pressão, reduzindo sua área natural drasticamente.

E o histórico seu histórico de degradação não é de hoje. Na época do descobrimento do Brasil, a Floresta Atlântica ocupava cerca de 15% do território nacional, uma área equivalente a aproximadamente 1 milhão e 300 mil de quilômetros quadrados! Sua extensão ia, através de uma faixa quase contínua ao longo da costa brasileira, desde o Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, além de parte dos estados de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

Atualmente, está reduzida a cerca de 13 % de sua cobertura florestal original. Historicamente, foi a primeira floresta a receber iniciativas de colonização, saindo dela, a primeira riqueza explorada, o Pau-brasil (Chaesalpinia echinata). Desde então vários ciclos se desenvolveram em seu domínio. O resultado de todos os períodos econômicos pelos quais a Floresta Atlântica passou foi a perda de grande parte das florestas originais e a contínua devastação e fragmentação dos remanescentes florestais existentes, o que coloca a Floresta Atlântica em péssima posição de destaque, como um dos conjuntos de ecossistemas mais ricos e ao mesmo tempo mais ameaçados de extinção do mundo. Por isso, é considerada um hotspot de biodiversidade.

Mas apesar do intenso desmatamento e fragmentação, a Floresta Atlântica, juntamente com seus ecossistemas associados, ainda é extremamente rica em biodiversidade. E para manter esse ambiente único, medidas públicas têm sido realizadas, como o Decreto Federal 750/ 93, que estabelece regras para o corte de suas árvores e exploração de seus recursos, além de estabelecer outras providências. Além disto, a Constituição Federal Brasileira estabelece, em seu artigo 225, que a Floresta Atlântica é um Patrimônio Nacional. Entretanto, todas as políticas ainda não são suficientes.

A proliferação de um modelo econômico de consumo não tem priorizado a conservação dos recursos naturais e o desrespeito à natureza tem sido crescente e contínuo, sendo então, um processo totalmente insustentável. E somos nós, seres humanos, os causadores de tantos prejuízos.

Então fica a seguinte pergunta: Como acabar com os processos destrutivos atuais? Não existe um caminho ou uma receita pronta. Os problemas que enfrentamos hoje são reflexos de comportamentos impensados outrora. Entretanto, sabemos o que está errado e temos a oportunidade de mudar, através de ações sustentáveis e no estabelecimento de uma convivência harmoniosa com a natureza. Precisamos ousar mais, criar novas expectativas; dominar novas tecnologias, incentivar a educação ambiental, etc...

dia nacional da mata atlanticaSomente com tais mudanças conviveremos harmoniosamente com o meio ambiente que nos cerca. E temos na Floresta Atlântica, além de toda sua beleza e biodiversidade, uma oportunidade única de exercitarmos novas ações e criarmos novos valores, para que, com muito louvor, o dia 27 de maio possa ser de fato comemorado como o Dia da Floresta Atlântica.

GUILHERME RODRIGUES

ENGENHEIRO FLORESTAL

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