No último dia 17 de dezembro (sábado), fomos convidados pelo COMPERJ a proferir palestra sobre educação ambiental, na localidade de São José da Boa Morte, distrito de Cachoeiras de Macacu no estado do Rio de Janeiro, no povoado de Bonanza. Ao buscar informações sobre a comunidade a ser atendida, pensamos em como abordar o tema, para um grupo heterogêneo (crianças, jovens, adultos e pessoas da terceira idade). trata-se de comunidade rural, de baixa renda e consequentemente, baixa escolaridade (no caso de boa parte dos adultos).
O evento, realizado pelo COMPERJ e atendendo a uma solicitação da Associação de moradores na pessoa do Sr. Divino (presidente) teve objetivo (entre outras coisas), de levar àquele grupo um pouco de entretenimento e laser. A programação foi variada e contou com um animador profissional, que em muito abrilhantou o evento. Mas e continuava a dúvida. Como falar de educação ambiental para um público com tal perfil?
Ao chegarmos no local previsto, após se perder inúmeras vezes (é muito longe, no meio de lugar nenhum), nos deparamos com muitas crianças, muitos jovens, as mães acompanhando seus filhos, curiosos e é claro, com o presidente da Associação de Moradores de Bonanza, o Sr. Divino. Palco montado, lanche, refrigerante, bolo, brindes sendo distribuídos e a ansiosa espera pelo momento mágico da festa: a chegada de Papai Noel. Foi quando pensamos, como chamar a atenção das crianças para assunto tão importante quanto a educação ambiental, quando após isto, espera-se o bom velhinho, aquele que vem trazer a alegria da criançada nesta época do ano. Como disputar atenção com o Papai Noel?
Ao subir ao palco, começamos a falar sobre a importância de preservar o mundo a nossa volta começando pela correta separação e descarte do lixo nosso de cada dia. Da importância de não poluirmos corpos d'água entre tantas outras coisas. De como economizar energia e ao mesmo tempo ajudar ao meio ambiente, com ações simples não deixando aberta a porta da geladeira, sem propósito; mantermos fechado o registro do chuveiro enquanto nos ensaboamos; escovar os dentes com a torneira fechada; etc. Utilizamos de ferramentas como peças, confeccionadas com material reciclável como forma de aproveitamento, geração de trabalho e renda e ainda cuidar do ambiente a nossa volta.
Foi uma grande surpresa e um aprendizado ainda maior para todos nós Guardiões do Mar, em especial os envolvidos na atividade ao depararmos com crianças conscientes de seus deveres e atentas a tudo que foi falado. É uma enorme satisfação saber que mesmo distante dos grandes centros urbanos estamos todos conectados pela firme idéia de preservar o meio a nossa volta.
Parabéns ao COMPERJ que identificou e permitiu aquele grupo um dia tão agradável. parabéns ao Sr. Divino que tão bem representa sua comunidade. Agradecemos a oportunidade de mais uma vez aprender com quem sabe: o povo!
Ao longo do ano de 2011, os Guardiões do Mar, junto com seis grupos solidários, desenvolveram a Rede CataSonhos de Comercialização de Materiais Recicláveis. Diversas foram as estratégias criadas para mobilizar a sociedade quanto a necessidade de um novo olhar para aquilo que a maioria das pessoas é lixo: - O material reciclável.
Como as diversas outras atividades, também nesta, temos orgulho de apresentar os resultados que em sua maioria são positivos. No próximo dia 10 de dezembro, será realizada pelo Instituto Brasil de Cidadania a Feira Cultural da Cidadania.
As oficinas realizadas em localidades as mais diversas (Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo e Itaboraí), renderam frutos e, alguns deles, poderão ser apreciados e porque não, adquiridos neste grande evento de cidadania. Vários empreendimentos solidários estarão lá expondo e comercializando seus produtos.

Por conta disto, todo empreendimento já criado pelos Guardiões do Mar, mesmo após o término do período de incubação/patrocínio, se torna um novo amigo. Disto, nos orgulhamos! Ontem, soubemos que uma nossa amiga (catadora de material reciclável) Dona Conceição Macedo, está internada em estado grave, com sérias complicações de saúde. Isto muito nos entristece, pois além de um ser humano ímpar, ela passou a fazer parte de nossas vidas tanto institucional quanto pessoal. Dona Conceição cunhou o título do projeto que hoje executamos a Rede CataSonhos, quando ela diz em um vídeo, disponível em nosso site, que ela é uma "catadora de sonhos". Sua luta diária para levar o pão para sua casa, catando aquilo que seria lixo, nas casas dos vizinhos e depois ao longo de três bairros do município de São Gonçalo, nos emociona até hoje e, nos aproximou dela. Assim se deu a formação de uma cooperativa de catadores e sua participação efetiva permitiu a ela vivenciar o mundo Rio Fashion Week, quando ela lá esteve para receber o Prêmio Mulher Empreendedora do SEBRAE em 2009, no qual obteve o segundo lugar. Segundo suas palavras, ela jamais poderia imaginar que um dia viveria um momento como aquele. Estar num ambiente que só tinha acesso pela televisão, no meio de modelos famosas, celebridades e ainda por cima, sendo ela uma homenageada. Mais uma vez entendeu o quanto catava sonhos e melhor que catar, ela os via transformarem-se em realidade.